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Estudante de Engenharia Mecânica, leitor inveterado e aspirante a escritor.

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A distopia de George Orwell é marcada profundamente por seu conhecimento politico e seus receios contra o totalitarismo.

Ambientada em um futuro onde governos ditatoriais tem o controle do mundo a sociedade do romance é dividida em um sistema de castas com: o Partido Interno sendo a elite no controle, o Partido Externo sendo os funcionários do governo e os Proles como trabalhadores comuns e pessoas de pouca instrução. As descrições feitas pelo autor do cenário transmitem ao leitor a situação aterrorizante de um regime totalitário, marcado por campanhas de controle e adequação de informações com objetivo de reforçar as diretrizes do partido e manter o controle.

O protagonista, Winston Smith, é membro do Partido Externo, que representa a elite intelectual e alvo primário das politicas de duplipensamento, a doutrina do Partido, que consiste no "poder de manter duas crenças contraditórias na mente ao mesmo tempo, de contar mentiras deliberadas e ao mesmo tempo acreditar genuinamente nelas, e esquecer qualquer fato que tenha se tornado inconveniente". Ele também é funcionário do Ministério da Verdade, responsável por alterações em documentos, jornais e textos históricos, apagando qualquer contradição aos pronunciamentos do Partido.

O autor cria um regime sólido baseado nos regimes comunista e fascista, principais alvos de sua critica. E esse detalhamento é o maior desafio do livro. A construção do ambiente e o entendimento dos mecanismos do regime são o foco de Orwell e deixam o livro pouco dinâmico. A leitura é pesada e pode ser cansativa.

Por outro lado cada pedaço de informação é relevante e o intuito do romance é alcançado perfeitamente ao termino da leitura. A desolação que senti quando fechei o livro só é superada pelo sentimento de que aprendi algo muito importante.

Mil Novecentos e Oitenta e Quatro não é um clássico atoa, ele mostra exatamente o tipo de sociedade na qual não quero viver.

Filhos do Fim do Mundo é a primeira publicação de Fábio Barreto e essa leitura faz parte da minha cruzada em favor dos novos escritores brasileiros de bons livros.

Eu acompanho alguns dos projetos do Fábio Barreto e admiro muito o trabalho dele quando o assunto é jornalismo cinematográfico, me identifico com diversas de suas opiniões, etc. No demais eu tentei ser totalmente imparcial na leitura.

Mesmo sem conhecer o autor o gênero do livro já seria suficiente pra me cativar. Tenho gostado muito dos títulos que li nos últimos meses que seguem a linha de sobrevivência e muitos desses elementos que me atraem podem ser encontrados no Filhos do Fim do Mundo.

Um dos diferenciais mais notados no livro é a ausência de nomes dos personagens que teria o intuito de não prender a história a um lugar em especifico, assim como não são mencionadas datas dando um caráter atemporal a mesma. Porém, diversos elementos nos dão indicações da localização deixando meio difícil de não reparar nas similaridades com um país em especifico.

Umas das coisas que mais gostei no livro foram as interações humanas, em muitas passagens é possível entender exatamente o sentimento que o autor queria transmitir e é muito fácil simpatizar com os personagens. Eu me identifiquei bastante com o protagonista e consegui entender todas suas decisões durante a jornada, até mesmo as ruins, e isso deixou a história mais verdadeira pra mim.

Do mesmo jeito é possível entender perfeitamente as motivações dos personagens e suas reações ao Evento Zero, que são muito orgânicas e dão peso a narrativa. Outro ponto forte da obra.

A leitura é fluida e prende o leitor, não tem partes monótonas nem explicações desnecessárias. A ação é bem arquitetada, toda história tem um tom cinematográfico bem dinâmico e a carga dramática não é grande ao ponto sobrecarregar a leitura.

Meu único problema com o livro foram uns poucos diálogos que me passaram uma sensação mecânica e impessoal, destoando da construção dos personagens. Diálogos que ficaram um pouco forçados para que certas informações fossem passadas.

O desfecho é magnifico, uma mescla perfeita de tragédia e esperança. Talvez com umas frases de efeito de conteúdo duvidoso, mas ainda assim excelente.

Quem leu O Nome do Vento e O Temor do Sábio provavelmente está muito ansioso para pôr as mão no terceiro livro das Crônicas do Matador do Rei de Patrick Rothfuss. Mas esse livro não é pra você.
The Slow Regard of Silent Things, ou A Música do Silêncio como ficou na versão brasileira, é uma história da Auri, personagem dos livros, e do mundo dela, sobre o mundo dela, eu diria.

Apesar de não conter nenhuma linha narrativa normal e ser quase que completamente alheia a história de Kvothe, talvez o leitor mais dedicado consiga identificar algumas coisas interessantes sobre uma das grandes atrações dos livros, o nome das coisas. A relação de Auri com lugares e objetos é certamente única e nos dá um certo insight sobre estruturas importantes da narrativa, ou pelo menos de como o autor encara essas estruturas.

O principal é o jeito com que ela encara as coisas, os lugares, os objetos, tudo que não tem uma consciência evidente. Ela entende, ou pensa entender, o lugar próprio das coisas, seus sentimento e suas personalidades. O texto é mais filosófico, talvez, que uma narrativa. A sensação que tive com a leitura foi de ler um poema, me senti entendendo a cabeça da Auri mais que qualquer outra coisa. E é assim que acredito que o autor visualiza a cabeça de alguém de entende de verdade o nome das coisas e o papel das coisas no mundo.

Da mesma forma temos uma protagonista com um problema, um distúrbio. Uma protagonista que entrou em contato com um mundo novo e não consegue mais conciliar essa nova descoberta com o mundo antigo e parece ter resolvido se isolar. O conflito é dela contra si mesma e contra a ordem das coisas. É uma história sobre o funcionamento dela em sua casa com suas coisas, sua relação com o seu próprio mundo.

The Martian ou, como ficou a tradução aqui no Brasil, Perdido em Marte (eeh...), é o primeiro romance publicado de Andy Weir. Eu li por causa da recomendação de um vlogger que sigo. Além do fato de a sinopse ter me deixado bem animado.

E não me decepcionei com quase nada. O formato é interessante e a trama é instigante. Outro ponto forte é o protagonista, Mark Watney, que é bem divertido.

O livro é sobre um astronauta americano que acaba deixado em Marte por sua equipe após uma tempestade de areia comprometer a missão. Durante a qual Mark é ferido por um pedaço da antena de comunicação e tido como morto.

A maior parte da história é narrada pelo protagonista através de "logs". Mark é um cara divertido e um ótimo botânico/engenheiro, assim, grande parte do que ele escreve são piadas sobre sua situação e descrições técnicas dos procedimentos a qual ele recorre em ordem de sobreviver no planeta até ter a chance de ser resgatado.

Grande parte do que faz o livro bom são as partes técnicas, eximiamente descritas e provavelmente bem plausíveis. Ainda assim o fato de apenas termos contato com o que o próprio Mark escreve, na maior parte do tempo, deixa o drama da situação aquém do que poderia, um tanto raso. Mesmo assim toda a ação é bem descrita e empolgante.

Depois de algum tempo acompanhando Mark, outros personagens são introduzidos a trama e temos um vislumbre de como o resgate é arquitetado. Outra vez a politica das preparações é um pouco rasa, mas nada que comprometa o divertimento, só deixa uma sensação de que poderia ter sido ainda melhor. Os personagens secundários são ótimos, com personalidades bem definidas e todos são muito bem inseridos na narrativa.

É um ótimo livro de ação e tudo indica que ele terá uma versão cinematográfica nos próximos anos. Se bem executado podemos ter um ótimo filme sobre exploração espacial em breve, o que me deixa ansioso.
Eu acordei agitado novamente. Suando. Ainda vendo seu rosto. Eram três da manhã, sempre três da manhã. O mundo continuava silencioso, adormecido. Uma brisa fraca soprou a cortina da janela entreaberta.
Sentei devagar, enterrei o rosto entre as mãos, segurando a respiração, engasgando. A primeira lagrima era sempre a mais difícil, ela resistia a todo custo, arranhava, se debatia. Meu corpo tremia por inteiro. Minha saliva tinha gosto de sangue.
Ela enfim se deixou cair. Primeiro silenciosamente, depois com um urro feroz de um animal ferido. Seguida de socos e chutes, de desespero e ódio.
Cada centímetro de meu corpo se tencionava em dor, uma dor interna. Uma dor que repuxa os músculos, que impede o grito em vez de necessitá-lo. O corpo se chacoalha, mordo o lábio e perco o ar. Dor de verdade, do tipo que não passa, que não responde a anestesia, que mata.

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