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Estudante de Engenharia Mecânica, leitor inveterado e aspirante a escritor.

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Todo que eu sei sobre a lenda do Rei Artur é o que foi referenciado na cultura pop que eu consumo. Alguns nomes, o Merlin, um filme ou outro sobre Artur, mas nunca havia lido a lenda em si, ainda que sempre tenha tido vontade.

Nesse último mês tive a oportunidade de comprar os dois primeiros livros d'As Crônicas de Artur de Bernard Cornwell, que são meio difíceis de achar com um bom preço, já que eu não queria a edição econômica. E já li o primeiro, O Rei do Inverno, e pouco mais da metade do segundo, O Inimigo de Deus. Quando eu entrei em contato a primeira vez com o trabalho de Bernard Cornwell a trilogia foi a mais indicada, sendo considerada por muitos a melhor serie que ele já escreveu.

A historia acompanha Derfel, um saxão criado por Britânicos nas terras de Merlin que acaba como um guerreiro no exercito de Artur e também se torna amigo do mesmo. Tendo uma pegada mais "real", Artur é um bastardo de Uther, Merlin é um druida e a magia é bem menos evidente, tratada como religião. Alguns fenômenos inexplicáveis, mas que não podem ser chamados de magia propriamente.

O cenário é uma Britânia pós romana em conflito interno e cercada de inimigos como saxões e irlandeses. Onde existe uma disputa entre a religião pagã e o cristianismo em ascensão. Começa com o nascimento do filho do herdeiro de Dumnonia, Mordred, neto de Uther. O herdeiro, filho legitimo de Uther, morre em batalha ao lado de Artur, que já era considerado um grande guerreiro. Assim, já que o Grande Rei está morrendo, protetores devem ser escolhidos para que o direito de Mordred seja garantido ao atingir idade suficiente.

A morte de Uther desencadeia uma serie de conflitos e quando Artur é colocado na posição de protetor de Mordred e governante de Dumnonia ele traça para a Britânia um caminho em direção a paz, e esse objetivo é o que carrega a narrativa pelo resto do livro e, até onde eu sei, o pelos outros também.

A grande ideia do livro é desconstruir a lenda de Artur e de seus personagens icônicos, trazendo-os para o patamar dos humanos normais e entregar uma visão bem diferente do que eles poderiam ter sido. Bernard Cornwell usa também de uma extensa pesquisa para construir um cenário o mais próximo da realidade da época quanto é possível o que acrescenta muito a leitura . O livro é ótimo, as batalhas são muito bem descritas, as estratégias e os conflitos são muito bons e os personagens são carismáticos, principalmente Merlin que me faz rir sempre que aparece.

Estranho é a palavra perfeita pra descrever a narrativa de Anthony Burgess.

No começo da edição da Aleph que eu tenho é recomendado que não se leia o glossário nadsat no fim do livro. O intuito é que se tenha a mesma experiência que os leitores tiveram nos anos 1960, quando o livro foi originalmente publicado e a estranheza que ainda se deve ter entre os leitores ingleses onde o glossário não é publicado. E ela é entregue desde o começo.

Alex é o que se esperaria de um adolescente, pelo menos no que se trata da confusão em que as coisas acontecem eu sua cabeça. E o nadsat não te ajuda com isso. Eu só fiquei confortável com os termos depois de quase metade do livro e ainda assim as vezes eu me confundia.

É incrível o quão atuais são os escritos de Burgess. Ele descreve uma sociedade que tem medo de seus jovens, que são violentos e descontrolados e com um sistema carcerário precário que só faz corromper ainda mais. E o nosso Humilde Narrador é o mais perfeito exemplo. Um garoto que se diverte com o sofrimento alheio, que se sente dono do mundo e, como ele mesmo diz, quase como o próprio Deus, ou Bog.

Até que ele vai parar na prisão e lhe é aplicada uma nova e controversa técnica de reabilitação de condicionamento. Um método bárbaro chamado Tratamento Ludovico. Que consiste em forçar o detento a assistir filmagens violentas por grandes períodos de tempo, enquanto sob efeito de drogas, o que provoca um efeito de experiência de quase-morte. Após ser obrigado a ver tais imagens horríveis Alex tornar-se incapacitado ou senti-se indisposto se tentar realizar ou se testemunhar atos de violência.

E mesmo assim a ideia central da estoria é de falta de controle, é de como não se pode impedir os jovens de serem jovens e de como o ser humano realmente funciona.

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