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A janela aberta era a única fonte de luz no quarto destruído. O ar se enchia de poeira e pedaços de madeira, o guarda roupa tinha sido reduzido a um amontoado de lascas e ripas que se espalhavam pelo chão junto de pedaços de concreto e vidro estilhaçado. A cama estava aparentemente intacta, apesar dos sinais de que alguém a usará recentemente.
Seu corpo estava encostado na parede oposta a janela aberta. A respiração era o único som audível por cima do barulho do trânsito e das sirenes. Uma respiração chiada e irregular, entrecortada por suspiros e gemidos abafados. O rosto velho oscilava entre uma expressão de dor e uma de serenidade, a cabeça caía em direção ao peito para ser levantada quase imediatamente depois.
As sirenes ficavam cada vez mais audíveis sobre o ruído do tráfego.
De repente o velho se chacoalhou em uma gargalhada breve seguida de um engasgo. Caído ao seu lado uma velha arma que tinha sido sua parceira em diversos outros serviços. Sua mão tremula se fechou vagarosamente em torno do punho. Levantou-a até o colo no mesmo ritmo.
Tinha sido emboscado dessa vez, era óbvio pra ele que tinha sido mandado ali pra morrer. Ossos do ofício. Provavelmente um bando de traficantes em um carro, não tinham nem mesmo conferido o serviço. Amadores.
Conferiu o tambor, ainda tinha duas balas. Levou devagar a arma em direção de seu rosto. 
Colocou o cano da arma na boca. 
O gosto do metal frio era reconfortante, aos poucos sua respiração foi normalizando e a ansiedade diminuindo.
Pra maioria seria um fim indigno, mas pra ele era libertador.
Cessaria a angustia com um último trabalho.

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